
Prova viva , consegui . Nada entrou no caminho da busca pela felicidade plena de ontem . O tempo estava agradabilíssimo e , a caminho do sebo , ainda comprei uma lembracinha para uma pessoa amiga . Ao chegar em meu querido quadrado de concentração de poeira e piolho de gatos , fui cumprimentada por vários “quanto tempo!” ( as pessoas devem achar que eu não faço mais nada na vida ) e sorrisos de quando se encontra clientes movidos a compras . Subi aquela escada , que tremia mais do que nunca , para , não demorando muito , ser abordada por um funcionário e seu minibanquinho desconfortável e prestativo . Foi quando encontrei ( sem nem precisar sentar ) aquela brochura vermelha . Dei uma risada quase que sádica , eu estava feliz . Estava mais feliz ainda por ver logo ao lado de meu querido alvo sua seqüência . Nunca a tinha visto ali . Aquilo era um sinal , sem dúvida . Algo como “você passou pela primeira fase , eis aqui a segunda” . A vontade de comprar era absurda ( eu sabia que comprá-lo junto com o primeiro me causaria uma crise de ansiedade ) meus dedos roçavam , minha carteira gritava de forma estimulante e o vendedor acompanhado pelo banquinho não saia do meu lado . É como se esperasse o momento que eu iria explodir para poder levar a câmera escondida no fundo de minha linda bolsa .
Ao final , não comprei nem No Limite da Razão nem os resquícios de inteligência de Mcluhan . Para falar a verdade nem procurei por este segundo , tinha medo de não o achar , ficar triste e tentar solucionar minha alegria através da compra do primeiro . Sai do sebo correndo , feliz , contente e abraçando um saco branco de grande preciosidade interna enquanto ouvia uma música que nada tinha a ver com aquele momento .
Ao chegar em casa já tinha chegado na metade do livro . Era uma necessidade urgente de criar novas “Cenas Deletadas” com base em tiras exclusivas do livro ( criei várias ) .
Minha leitura teve de ser interrompida por um motivo – inicialmente nem tanto – alegre . Tinha de estar 1:30 em um determinado lugar cuja localidade foge do meu conhecimento ( Aquilo é Barra ? Aquilo é Recreio ? ) . Pus uma roupa extremamente charmosa , precisava parecer uma lady , e sai de casa com toda elegância 20 para as uma . Era 1:30 quando eu ainda estava na Taquara , descendo de qualquer salto e fazendo com que minha mãe participasse do coro de buzinas ( atitude muita imatura esta , tentarei não repeti-la futuramente ) . Era um absurdo eu estar atrasada para a consulta , Dr.Marcos é um homem digno de ser obedecido , então se ele diz “1:30” é porque tem de ser “1:30” . O transito milagrosamente fluiu pós-coro e antes das duas estava no consultório .
[ Cara Michelle , se lembra do peso que disse que achava que tinha ? Então , esse peso + 2,5 Kg é o meu peso atual . E por incrível que pareça eu estou lidando muito bem com essa situação ! Tenho motivos ... ]
Apesar do peso , dos 4 meses de ausência e um belo atraso ele estava muito satisfeito comigo . Chegou até a levar o Rodofredo ( interna ) que deixou de lado qualquer restício de constrangimento da minha parte . Tudo estava ótimo .
Cheguei em casa como se tivesse saído de um parque de diversões . Meu caderno de constatações aumentou em 4 páginas ( frente e verso ) depois da tal consulta .
Mas como nada é perfeito e uma força maior sempre tende a estragar minha alegria encontrei a Internet fora do ar ao chegar em casa ( o “problema” disso é que só voltou … ) .
Ainda sim , apesar de não ter conseguido por fim em certos diálogos necessários , só possíveis com o amigo MSN , pude dar fim à Bridget Jones . E pude listar minhas ponderações a respeito . O livro é – como geralmente acontece – bastante diferente do filme . Não tem como definir , em questão de conteúdo , qual é o melhor ou qual o pior . Os dois são diferentes em aspectos demais , como se fossem dois pontos de vista diferentes sobre uma mesma pessoa ( claro que a “mesma pessoa” foi criada pelo livro , mas isso é uma discussão que não vem ao caso ) , enfim . Tirando a péssima estruturação e total falta de domínio sobre “-“ e divisão de palavras o livro me foi realmente agradável .
Transformei cada passagem do livro em partes do filme original e agora este , na minha cabeça , tem pra lá de 3 horas . Essa atividade , totalmente intelectual , fez com que o fato da Internet estar fora do ar significasse nada . Acabei inclusive dormindo mais cedo tentando não lembrar de que , enquanto todo mundo estaria acordando meio dia no sábado , eu teria de estar 8 horas na Tijuca para assistir uma última-mega-importante-de-relevancia-extrema-imperdivel-e-bem-elaborada-com-foco-único aula de revisão para a prova de amanhã .
Acordei cedo com um sentimento de que estaria me odiando dentro de poucas horas , realmente não sabia o porque .
Durante a aula , acho que pela primeira vez , fui alvo de “um belo par de olhos” incorporados num ser masculino . Uma graça de pessoa ( fisicamente dizendo ) mas completamente irrelevante . Pelo que sei pretende prestar vestibular para Engenharia enquanto meu ideário de relacionamento hoje se limita a um grupo de 3 exemplares da espécie masculina : médicos de renome , altos executivos pervertidos e Noruegueses . Engenheiros ? “Never ever” . Sem contar que ele não devia ser nem 2 anos mais velho do que eu , não quero cuidar das fraldas de ninguém ( criei uma nova teoria a respeito de “par ideal” a partir de um exemplo bastante agradável [ físico , real ( e bastante próximo) . Não é fruto de idealização maluca ! ] onde o homem para ser realmente agradável tem de ter , entre outras qualidades além das já citadas , no mínimo 32 anos ) .
Estava completamente absorta na aula quando , olhando minhas notinhas fiscais e achando a do livro da Bridget , quase que gritei . Tinha de ter trazido dinheiro para comprar No Limite da Razão ! Era só sair da aula , o que seria muito agradável já que meu quadril já estava quadrado literalmente , e ser feliz . Mas não … Não tinha dinheiro , tinha a bunda quadrada e um bebê dando em cima de mim . Descobri o porque daquela sensação matutina .
Quando a aula acabou dei saltos de alegria ( precisava fazer com que sangue chegasse às pernas ) e escutando Madonna e Macy Gray fui andando pelas ruas até ser atentada pelos “hehes” de uma senhora ( isso é uma outra história , muito longa , que pede analogias , muito longas ) . A partir daí Pearl Jam fez questão de me acompanhar até o trem , me trazendo as mais diversas vontades , inclusive a de arrancar minha blusa no meio da rua ( morria de calor ) .
No trem minha alegria plena pretendeu voltar a tona . Vivenciei quase 35 minutos de um almoço em família regado a Convenção em pleno vagão balançante . Um dos infantes que faziam parte da cena não estava conseguindo lidar com seu sanduíche e cuspia freneticamente algo que achei ser farofa ( compartilhando o fato posteriormente com Tânia ela me alertou para a possibilidade de ter sido queijo-parmesão ) .
Saltei em Bento Ribeiro junto com Robbie Willians para deixar no correio a carta mais curta que já escrevi na vida . 5 palavras que só fazem sentido com o conteúdo restante do envelope : a lembrancinha que comprei no Centro ontem . Mas encontrei o Correio fechado …
Muito indignada mas ainda com vontade de prosperar minha alegria continuei o rumo ao lar . Quanto a esse trajeto quero deixar bem claro que nunca mais irei trocar a rota da calçada pela a do viaduto , nunca ! Não duvido nada que eu seja a única pessoa ( dentre as que conheço ) que andou aquilo lá com sapatos de pelica e sobreviveu para contar a história . As pessoas acham que o Centro ( ou até mesmo a Tijuca ) é o verdadeiro formigueiro de “coisas e seres” estranhos , mas elas NUNCA fizeram o trajeto Bento Ribeiro-Marechal . Se o tivessem feito mudariam de opinião imediatamente . Tudo devido a grande “diversidade” que … cresce a cada dia por lá(aqui) .
E falando nessa diversidade lembrei , pela milésima vez , que tenho de fotografar o retrato falado do novo estuprador de Bento Ribeiro/Marechal Hermes/Vila Valqueire . Caras meninas leitoras , vocês que ainda tem bico do peito ( pois é , esse cara além de fazer “safadeza” pega uma faca , arranca teu bico do peito e te deixa toda , literalmente , marcada ) não façam o que eu fiz . Andar por essas bandas está um perigo ( o que me faz lembrar também da casa do meu vizinho que foi invadida 3 dias atrás , mas não falarei tal coisa para que as pessoas não tenham medo de me visitar ! ) e perambular desacompanhada é altamente não recomendável ( isso é sério ) . “Mas como poderei me proteger ?” . Fácil , minhas caras . Spray de pimenta na bolsa , olho atento para Pálios Brancos ( é o carro dele ) , sutiãs de ferro e o grito “oh , e agora quem poderá me defender ?” quando ele definir você como alvo do dia .
Em casa o cenário estava bastante igual . Todos morrendo de fome , Toby louco para encontrar cascas de laranja no meu quarto e a Internet fora do ar . Estou com medo de que a distância do Hotmail faça com que minha tensão aumente e eu sofra nas mãos da prova ( que não tem mãos ) amanhã . Enfim , o que será , será … Boa prova para mim ( e para todos que a vierem a fazer ) .