Se eu for listar tudo que eu aprendi , eu diria que  não sou nada do que eu antes imaginei . Que eu sou fraca como todos e que me machuco por isso . Que eu tenho simpatia por tudo que ainda não vivi e ainda mais carinho pelo que eu não esqueci . Que o sentimento aqui dentro é maior do que qualquer palavra minha , do que qualquer palavra sua . E não importa , aconteça o que acontecer , isso não mudou . Isso não muda . Que eu preciso de mais , um pouco mais . De carinho , de carícia , de doce incerteza de simplesmente ser mais que isso . Do medo de entrega ao me entregar . Da adrenalina de ver , ouvir , tocar , só de saber .  Que eu sustento sem medo de negar e com coragem de desabar com tudo de novo , com outros pesos , com outras palavras , outros olhares e abraços . Eu listo que ele não vale nada , assim como qualquer outro . Mas que isso vale para mim . Todo esse nada , esse “não-amor” , esse todo que eu nunca entendi … Ah , tudo isso eu guardo , eu desejo e amo , tanto …

O processo criativo é fundamental uma vez que se tem algo a dizer. Algo decentemente estruturado no cantinho das reflexões ousadas e inovadoras que seria capaz de arrancar suspiros quando se deparasse com um par de olhos. Mas, e quando nada tenho a dizer? Pior, quando tenho algo a dizer mas nem sei sobre o que é. Não sei. Admito não saber. Pego um papel e desenho inicialmente? Faço traços ou ao menos tentativas deles? Tentativas de nada são ao menos mais corajosas do que nada fazer. São tentativas, frustradas ou vazias. São rabiscos e sujeiras da alma de uma folha. São algo, algo não é nada e o nada é assustador. Então fico com o algo. Tentarei falar o que nem sei dizer. Decifrar esse tudo que sinto e tenho medo de entender ou até simplesmente admitir. Já que a admissão muitas vezes é a mais cruel das alternativas. Ela te descobre o mistério da imagem e te desarma diante de futuras surpresas. Então por agora não admito, apenas tento. Mesmo que depois de tudo tentar pareça tão pouco. Se ao menos soubesse eu poderia fazer. Fazer é divertido, é mais certo e desafiador. É o mais palpável nesse meio de dúvidas. Fazer o quê? Quem me dera saber.

Eu perdi aquele livrinho preto de instruções onde Clarice Lispector ainda fisicamente viva disse que “Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz com que eu, por instinto de… de quê? procure um modo de falar que me leve mais depressa ao entendimento.” . Clarisse é Clarrise , e como Clarisse é , nós não somos capazes de realmente entendê-la . Ao menos eu não entendo o que é para ser entendido , por isso entendo do meu jeito . O problema aqui não é esse , está mais para o “um modo de falar” que seja “entendível” , não para todos , mas para você . Seria como criar um código capaz de deixar claro uma mensagem para o mundo incompreendida . E o que eu tenho a esconder do mundo ? Nada que seja inviolável . Mas levando-se em conta do que o “proibido é mais gostoso” , tudo em mim é proibido , logo inviolável . Ficando assim perigoso dizer aqui ou em qualquer lugar o que os outros não podem ouvir . O que eu não disse até agora é que eu não realmente ligo . Não que eu tenha dito antes , mas eu digo agora . Da forma mais simples , sem trocas de palavras ou busca pela complexidade de um texto , só dizer que eu amo tudo que você faz . E eu sei que você vai continuar fazendo . É isso que me move , te ver mover .

Mui Bella .

agosto 4, 2009

Várias são as formas como posso te contar a mais bonita história . Ela envolve mais do que eu , mais do que isso e todo o demais da vida . E eu posso variar-lhe as verdades para que se torne a que um dia finalmente vou contar . Dando-lhe assim tempo para crescer e se deixar apoderar pelas minhas mais insanas vontades , pelos desejos que ultrapassam o limiar de mim . Quanto ao que não posso dar tempo conto , enfim , minha incapacidade de fazer-lhe acreditar em seu próprio sonho onde me perdi . Mas mesmo sendo hoje um momento como o é , todo o ‘apesar de’ me tornou o agora . E é assim que eu conto a minha mais bonita história .

A voz
Ressoa pelo ar .
Pelo vento canta e
Não a ouço .

Por esse doce espaço onde anjos sorriem
Vamos juntos numa futura Ode
Entre beijos e sonhos , estamos no céu
Nesse paraíso recheado de tesouros .
Com sensações que me fazem nem lembrar !
- do que passou , nada importa , nada importa … -
E me levam além do céu estrelado .
Mostram o mundo como não se vive .
Cantam até que se durma todas as centelhas
E o último beijo é dado
Com aquele nome que nem me lembro mais
Há tanto , tanto , tanto , tanto …

A voz
Ressoa pelo ar .
Pelo vento canta e
Não a ouço .

Tudo cala
No longo instante
De uma história
única .

( E a bagatela de Therese continua … )

Parei certa vez “num dos dias da planície , num dia sem data” numa estranha vontade de atormentar a calma , num daqueles momentos de vazio impulso e confundi toda minha sabedoria com ignorância . Refleti com a fímbria de uma de minhas supostas sombras sobre a questão do “ter que” para concluir que a doença em si já havia sido a longo agravada e eu – eterna sabia , astuta inovadora – deixe-me naufragar já nos seus sintomas . Nos ardores e brisas de longa reflexão que me levaram à hora cinza onde nada físico pulsa . E me deparei com um crescente horizonte em meio a “grande desilusão / de tudo mais.” , voraz pela volta . À qualquer ponto de partida , a origem de todo erro , ao reconhecer da austeridade em tudo para deste tudo escapar . Até que o dia voltou ao olhar humano e me deparei de novo com a necessidade de “crescer” e verdadeiramente pulsar . E nessas datas de “vai-e-vem” encontro minha morte e salvação . A cumprimento com todo o prazer e necessidade de sua presença . Sentindo dela uma saudade louca associada a dor intensa . A vontade de falar cala no momento oportuno , dou voz ao silêncio e àquelas pequenos instantes que geram impaciência . O meu dito não chega a sua mente pois como esta corre … Corre rápido e mata os sentidos mais sutis , fazendo-nos sentir tudo o que não queríamos dizer . E o meu dito fica assim , por dizer . Entretecido com outros silêncios de palavras dissipadas .

Antecipassão .

junho 24, 2009

Breves horas sãos as que passam entre qualquer espera humana . O “sofrimento por antecipação” é clichê e a avaliação da eternidade é um exagero . Ser humano que é gente não conhece tempo , é tão insignificante que nem vive . Vem e vai com a indiferença de costume parando rumos só por não suportar mais a espera . Gente espera o que ? Gente espera por espera , gente morre em breves horas de presente .

DSC01520_2

Prova viva , consegui . Nada entrou no caminho da busca pela felicidade plena de ontem . O tempo estava agradabilíssimo e , a caminho do sebo , ainda comprei uma lembracinha para uma pessoa amiga . Ao chegar em meu querido quadrado de concentração de poeira e piolho de gatos , fui cumprimentada por vários “quanto tempo!” ( as pessoas devem achar que eu não faço mais nada na vida ) e sorrisos de quando se encontra clientes movidos a compras . Subi aquela escada , que tremia mais do que nunca , para , não demorando muito , ser abordada por um funcionário e seu minibanquinho desconfortável e prestativo . Foi quando encontrei ( sem nem precisar sentar ) aquela brochura vermelha . Dei uma risada quase que sádica , eu estava feliz . Estava mais feliz ainda por ver logo ao lado de meu querido alvo sua seqüência . Nunca a tinha visto ali . Aquilo era um sinal , sem dúvida . Algo como “você passou pela primeira fase , eis aqui a segunda” . A vontade de comprar era absurda ( eu sabia que comprá-lo junto com o primeiro me causaria uma crise de ansiedade ) meus dedos roçavam , minha carteira gritava de forma estimulante e o vendedor acompanhado pelo banquinho não saia do meu lado . É como se esperasse o momento que eu iria explodir para poder levar a câmera escondida no fundo de minha linda bolsa .

Ao final , não comprei nem No Limite da Razão nem os resquícios de inteligência de Mcluhan . Para falar a verdade nem procurei por este segundo , tinha medo de não o achar , ficar triste e tentar solucionar minha alegria através da compra do primeiro . Sai do sebo correndo , feliz , contente e abraçando um saco branco de grande preciosidade interna enquanto ouvia uma música que nada tinha a ver com aquele momento .

Ao chegar em casa já tinha chegado na metade do livro . Era uma necessidade urgente de criar novas “Cenas Deletadas” com base em tiras exclusivas do livro ( criei várias ) .

Minha leitura teve de ser interrompida por um motivo – inicialmente nem tanto – alegre . Tinha de estar 1:30 em um determinado lugar cuja localidade foge do meu conhecimento ( Aquilo é Barra ? Aquilo é Recreio ? ) . Pus uma roupa extremamente charmosa , precisava parecer uma lady , e sai de casa com toda elegância 20 para as uma . Era 1:30 quando eu ainda estava na Taquara , descendo de qualquer salto e fazendo com que minha mãe participasse do coro de buzinas ( atitude muita imatura esta , tentarei não repeti-la futuramente ) .  Era um absurdo eu estar atrasada para a consulta , Dr.Marcos é um homem digno de ser obedecido , então se ele diz “1:30” é porque tem de ser “1:30” . O transito milagrosamente fluiu pós-coro e antes das duas estava no consultório .

[ Cara Michelle , se lembra do peso que disse que achava que tinha ? Então , esse peso + 2,5 Kg é o meu peso atual . E por incrível que pareça eu estou lidando muito bem com essa situação ! Tenho motivos ... ]

Apesar do peso , dos 4 meses de ausência e um belo atraso ele estava muito satisfeito comigo . Chegou até a levar o Rodofredo ( interna ) que deixou de lado qualquer restício de constrangimento da minha parte . Tudo estava ótimo .

Cheguei em casa como se tivesse saído de um parque de diversões . Meu caderno de constatações aumentou em 4 páginas ( frente e verso ) depois da tal consulta .

Mas como nada é perfeito e uma força maior sempre tende a estragar minha alegria encontrei a Internet fora do ar ao chegar em casa ( o “problema” disso é que só voltou … ) .

Ainda sim , apesar de não ter conseguido por fim em certos diálogos necessários , só possíveis com o amigo MSN , pude dar fim à Bridget Jones . E pude listar minhas ponderações a respeito . O livro é – como geralmente acontece – bastante diferente do filme . Não tem como definir , em questão de conteúdo , qual é o melhor ou qual o pior . Os dois são diferentes em aspectos demais , como se fossem dois pontos de vista diferentes sobre uma mesma pessoa ( claro que a “mesma pessoa” foi criada pelo livro , mas isso é uma discussão que não vem ao caso ) , enfim . Tirando a péssima estruturação e total falta de domínio sobre “-“ e divisão de palavras o livro me foi realmente agradável .

Transformei cada passagem do livro em partes do filme original e agora este , na minha cabeça , tem pra lá de 3 horas . Essa atividade , totalmente intelectual , fez com que o fato da Internet estar fora do ar significasse nada . Acabei inclusive dormindo mais cedo tentando não lembrar de que , enquanto todo mundo estaria acordando meio dia no sábado , eu teria de estar 8 horas na Tijuca para assistir uma última-mega-importante-de-relevancia-extrema-imperdivel-e-bem-elaborada-com-foco-único aula de revisão para a prova de amanhã .

Acordei cedo com um sentimento de que estaria me odiando dentro de poucas horas , realmente não sabia o porque .

Durante a aula , acho que pela primeira vez , fui alvo de “um belo par de olhos” incorporados num ser masculino . Uma graça de pessoa ( fisicamente dizendo ) mas completamente irrelevante . Pelo que sei pretende prestar vestibular para Engenharia enquanto meu ideário de relacionamento hoje se limita a um grupo de 3 exemplares da espécie masculina : médicos de renome , altos executivos pervertidos e Noruegueses . Engenheiros ? “Never ever” . Sem contar que ele não devia ser nem 2 anos mais velho do que eu , não quero cuidar das fraldas de ninguém ( criei uma nova teoria a respeito de “par ideal” a partir de um exemplo bastante agradável [ físico , real ( e bastante próximo) . Não é fruto de idealização maluca ! ] onde o homem para ser realmente agradável tem de ter , entre outras qualidades além das já citadas , no mínimo 32 anos ) .

Estava completamente absorta na aula quando , olhando minhas notinhas fiscais e achando a do livro da Bridget , quase que gritei . Tinha de ter trazido dinheiro para comprar No Limite da Razão ! Era só sair da aula , o que seria muito agradável já que meu quadril já estava quadrado literalmente , e ser feliz . Mas não … Não tinha dinheiro , tinha a bunda quadrada e um bebê dando em cima de mim . Descobri o porque daquela sensação matutina .

Quando a aula acabou dei saltos de alegria ( precisava fazer com que sangue chegasse às pernas ) e escutando Madonna e Macy Gray fui andando pelas ruas até ser atentada pelos “hehes” de uma senhora ( isso é uma outra história , muito longa , que pede analogias , muito longas ) . A partir daí Pearl Jam fez questão de me acompanhar até o trem , me trazendo as mais diversas vontades , inclusive a de arrancar minha blusa no meio da rua ( morria de calor ) .

No trem minha alegria plena pretendeu voltar a tona . Vivenciei quase 35 minutos de um almoço em família regado a Convenção em pleno vagão balançante . Um dos infantes que faziam parte da cena não estava conseguindo lidar com seu sanduíche e cuspia freneticamente algo que achei ser farofa ( compartilhando o fato posteriormente com Tânia ela me alertou para a possibilidade de ter sido queijo-parmesão ) .

Saltei em Bento Ribeiro junto com Robbie Willians para deixar no correio a carta mais curta que já escrevi na vida . 5 palavras que só fazem sentido com o conteúdo restante do envelope : a lembrancinha que comprei no Centro ontem . Mas encontrei o Correio fechado …

Muito indignada mas ainda com vontade de prosperar minha alegria continuei o rumo ao lar . Quanto a esse trajeto quero deixar bem claro que nunca mais irei trocar a rota da calçada pela a do viaduto , nunca ! Não duvido nada que eu seja a única pessoa ( dentre as que conheço ) que andou aquilo lá com sapatos de pelica e sobreviveu para contar a história . As pessoas acham que o Centro ( ou até mesmo a Tijuca ) é o verdadeiro formigueiro de “coisas e seres” estranhos , mas elas NUNCA fizeram o trajeto Bento Ribeiro-Marechal . Se o tivessem feito mudariam de opinião imediatamente . Tudo devido a grande “diversidade” que … cresce a cada dia por lá(aqui) .

E falando nessa diversidade lembrei , pela milésima vez , que tenho de fotografar o retrato falado do novo estuprador  de Bento Ribeiro/Marechal Hermes/Vila Valqueire . Caras meninas leitoras , vocês que ainda tem bico do peito ( pois é , esse cara além de fazer “safadeza” pega uma faca , arranca teu bico do peito e te deixa toda , literalmente , marcada ) não façam o que eu fiz . Andar por essas bandas está um perigo ( o que me faz lembrar também da casa do meu vizinho que foi invadida 3 dias atrás , mas não falarei tal coisa para que as pessoas não tenham medo de me visitar ! ) e perambular desacompanhada é altamente não recomendável ( isso é sério ) . “Mas como poderei me proteger ?” . Fácil , minhas caras . Spray de pimenta na bolsa , olho atento para Pálios Brancos ( é o carro dele ) , sutiãs de ferro e o grito “oh , e agora quem poderá me defender ?” quando ele definir você como alvo do dia .

Em casa o cenário estava bastante igual . Todos morrendo de fome , Toby louco para encontrar cascas de laranja no meu quarto e a Internet fora do ar . Estou com medo de que a distância do Hotmail faça com que minha tensão aumente e eu sofra nas mãos da prova ( que não tem mãos ) amanhã . Enfim , o que será , será … Boa prova para mim ( e para todos que a vierem a fazer ) .

Hoje entendi pela primeira vez o porque do desespero coletivo na minha turma ( assim como a turma vizinha ) de pré-vestibular . Nos foi perguntado de forma debochada para que os alunos da área de Humanas levantassem o braço para fazerem uma conta simplória quando percebi que , na minha turma de mais de 100 cabeças , menos de 10 fazem parte do adorável grupo dos amantes de História . Todo o resto , tirando uns 20 infelizes dedicados a Engenharia & Cia , estão absortos pelo sonho de Medicina – daí o desespero .

Não que eu considere que só os estudantes ávidos por Medicina devem estudar , de forma alguma . O problema é o nível de desesperos deles que , “neve rever” , não sou capaz de descrever .

“A preparação” em si para a prova deste Domingo próximo começou desde semana passada . Enquanto eu louvava aos céus pelo feriado de quinta , tudo o que fazia parte dos desejos dos futuros “jalecados” era estudo interrupto . Se isso já me assustava no início da semana passada imaginem agora . Estou cercada de loucos ( bom sinal ) .

A minha preparação não foi de forma alguma intensificada . Aliais – dependendo do ponto de vista – ela até retardou . Sou total adepta do “relaxamento” antes da prova e para isso a última coisa que tenho de pensar é … a prova .

Para tal ‘entrei de cabeça’ na temática romântica da semana passada . Desde segunda já manipulava planos sórdidos e , devido ao fato de todas as amigas próximas terem namorados , solitários para sexta feira .

Foi de fato um dia maravilhoso . Por não agüentar mais a professora de História que desconhece o lugar próprio do bigode de Hitler adiantei o princípio da minha aventura .

Da tijuca ao Centro , do Centro à Botafogo e de Botafogo à Ipanema vi e fiz de tudo . Gastei ( dinheiro ) , ganhei ( flores ) , perdi ( parte do que gastei ) , comi ( muito ) e observei ( profundamente ) .

É incrível como as pessoas tendem à vulnerabilidade no Dia dos Namorados . Vi a tensão refletida em todas as espécies  nos mais diversos lugares , ouvi muita coisa que não deveria ouvir ( pobre namorada daquele cara … ) e , dentre outros acontecimentos ‘acontecidos’ , decidi certas coisas .

[ E por mais que vocês esperem que eu conte o que coisas essas ‘coisas’ sejam , não irei contar . Perderia todo o propósito . ]

No final do incrível Dia dos Namorados até tive o glorioso momento de ser DEVIDAMENTE presenteada . Aparentemente os Noruegueses ( um em especial ) se sensibilizaram pela minha condição ( de sempre acompanhar meus pais ao ‘shopping’ ) e tiverem o belo gesto de me comprar um digno perfume ( “Boticário” ? Ha , vocês não sabem quem são os Noruegueses … ) . Feliz , realizada e presenteada finalizei o dia com mais uma conclusão racional que posso compartilhar : “porque namorados se tenho os noruegueses ?”

Além desses acontecimentos não previstos , ainda sobrou tempo para finalizar o roteiro “l´mour” . Com a feliz noção de que faltaria a aula no dia seguinte madruguei vendo os filmes de Bridget Jones .

“Rebeca , você é  Bridget Jones” é o que sempre dizem . Nunca desaprovei tal metáfora , aliais , a achava ( e acho ) uma graça . O detalhe é que sempre a considerei pelo fato de ser ‘gordinha’ e “sonhar” com um ‘Mark Darcy” ( ou qualquer outro Darcy em questão ) . Mas foi só no dia dedicado as legitimate spinsters que descobri que essa semelhança ia além .

São diversas ( óbvias ) semelhanças . Assustadoras semelhanças ! Incríveis , idênticas , semelhantes ( ? ) !  E essa feliz descoberta terminou por glorificar meu dia .

A primeira coisa que fiz sábado foi enviar a última da seqüência de 6 cartas para sortidos rumos . Era o início ( mais um ) de um novo momento ( na minha vida , claro ) . Meu sábado fluiu como uma maravilha , eu estava feliz e convicta de que tudo daria certo .

Mas ( como BJ ) tive a infelicidade de ( devido a imposições do ‘novo momento’ ) ver “Mamma Mia!” . Fã de Abba e conhecedora da peça eu realmente temia ver o filme . Tinha muito medo de me decepcionar e , não é que me decepcionei ? Tive de ver o Colin Firth fazendo o papel de Sam , LOGO O COLIN ! Toda minha convicção foi por água abaixo , tive medo , quis o mundo fosse mentiroso e que o tempo voltasse , tudo que vinha em minha mente eram aquelas cenas … Decepcionantes .

( Thanks God ) isso não se estendeu . Num momento de total maturidade baixei os filmes BJ em tamanhos absurdos , precisava vê-los na melhor qualidade . E depois de – aproximadamente – 11 vezes vendo cada um a paz voltou a ser uma realidade . Mas ainda não convicta rodei o mundo para encontrar Cenas Deletadas como forma de garantia de total prazer . E não é que foi mesmo ?

Agora “Mamma Mia!” ( o filme ! ) não significa nada e a vida voltou a trilho certo .

Repensei sobre determinadas observações feitas de minha pessoa por pessoas próximas e , mais do que nunca , ri delas . Não no sentido de deboche , ri pelo fato de terem muito a ver com a sincera verdade ( só que vistas por um ponto de vista distorcido ) . As minhas escolhas e vontades tem , em diversos aspectos , muita relação com o fundamento das ‘críticas’ em si mas a forma com que lido com elas difere bastante do que as terceiras mentes pensam . E – ainda sem mencionar nada concreto – permaneço crente em tudo o que faço ( ainda mais agora ) .

Continuo com as minhas convicções e estou adicionando a elas alguns objetos de decoração . ( Ainda sobre BJ ) Amanhã , logo depois da aula do “Prego” , irei ao amado Centro ( e ao amado Centro somente ) para comprar O Diário de Bridget Jones ( e um livro do McLuhan , mas esse detalhe é muito profundo para se mencionar junto com declaração da sua personalidade como ‘a lá’ Miss.Jones ) . Há anos que freqüento o mesmo sebo e há anos que na mesma estante vejo intocado o Livro . Não sei o porque de ainda não o ter comprado mas não importa , de amanhã não passa , aquele aglomerado de páginas e futilidades interessantes será meu ( isso se nenhum infeliz tiver tido essa ideia nas últimas semanas tê-lo comprado porque até o final de Maio ele estava lá ) .

Os outros “objetos de decoração” continuarão não mencionados assim como “essas coisas” . Mas não custa nada dizer que estes são esforços pessoais enquanto esses envolvem (in)diretamente dinheiro .

Para que não me venham com reclamações digo logo que não passei a semana inteira a mercê do “ócio” . Tive um momento de estudante de Medicina e ‘devorei’ certos livros de segunda …. até terça quando cheguei ao pH para encontrar não só mais um “dez” em matemática , como também um fofo “dez” em física . Desde então me dei a autorização oficial a realização de outras atividades ( o que muitos de vocês viriam a chamar de ócio ) .

E dentre várias atividades a que convém a mencionar devido a relação com parte do contexto já citado li , pela “…sima” vez Orgulho e Preconceito . Não sei se era efeito do Chá Verde que tomei ou da empolgação por planos secretos compartilhados com uma amiga que li o livro em dois dias sendo dotada da ousadia de lhe marcar ( com lápis , claro ) . Achei várias relações entre vários personagens e meus conhecidos de forma a mudar , em diversos aspectos , diversos pontos de vista .

Esses últimos tempos tem sido realmente dedicados à descobertas e reavaliações . Mais a reavaliações do que à descobertas . E por mais que seja um momento bastante propício para o desenvolvimento de textos concisos e de grande relevância me darei ao luxo de continuar sem os escrever .

Tudo nessa vida é questão de momento , por hora eu – literalmente – só observo .

P.s :

Em 1949 , João Dóira concretizou o pedido da extinta loja Clipper criando o ‘slogan’ : “Não é só de beijos que se prova o amor” . Era o início da tradição do Dia dos Namorados por estas bandas .

Mundo afora esse “dia especial” é comemorado em 14 de Fevereiro em homenagem a um mártir que ousou desafiar a ordem pelo ‘amor ao amor’¹ .

No Brasil esse “dia especial” data 12 de Junho – católicamente dizendo – pela proximidade do dia de homenagem ao santo das causas impossíveis e – financeiramente dizendo – por essa época ser considerada a mais economicamente estagnada do ano .

Seja por qual motivo for , o Dia dos Namorados se enraizou na vida de todos . Solteiros , “comprometidos” , casais , “afins” , divorciados , viúvos , …. reconhecem e “sentem” esse dia . Porém , dentre todos , são os solitários desacompanhados os responsáveis pela sustentação dessa data .

Os solteiros tendem a ficarem tensos logo após o Dia das Mães . Os anúncios em rádio , televisão e ‘outdoors’, as mensagens em panfletos distribuídos na rua e o gênero de filmes que passam a constituir a programação nos cinemas emitem uma única e sincera mensagem : “você é solteiro” . Os nervos ficam a flor da pele , os dias se tornam mais nublados e os cobertores parecem sempre grandes demais : “você é solteiro” .

A pessoa que “sofre” disso pode até não se importar em sê-lo no restante decorrer do ano , mas na chegada do mês de Junho “solteiro” é a última coisa que um solteiro quer ser .

A proximidade da data só piora a situação . Passa-se a imaginar crescente número de casais nas ruas e achar bonitos os bregas carros de mensagem … Essa é a etapa mais crítica . A razão vai para o “bêleléu” e ideias mirabolantes passam a freqüentar o coração solitário .

Por mais que o último pingo de senso o diga que “deixar de ser solteiro” em tão curto espaço de tempo é uma total impossibilidade ele passa a tomar atitudes que o façam pensar em “deixar de parecer solteiro” . Como ? Há inúmeras formas . Se freqüenta lugares onde “cartinhas do cupido” são um charme , pode se mandar diversas declarações de cunho shakespeariano ou a lá Jobim , supostamente anônimas . Pode entrar numa loja de embalagens e comprar a caixa mais bonita para – a uma certa distância da loja – desembrulhá-la e mostrar ao mundo que comprou um presente para alguém ou posteriormente deixá-la bem visível na estante do quarto ou próxima à janela para que lhe parabenizem por tê-la ganho .

Tudo loucura . É o breve desespero ( passageiro de preferência ) de estar sozinho no dia em que – hipoteticamente – todos deveriam estar acompanhados .

Com a criação da data dos namorados criou-se também o esteriótipo de que uma imagem solitária é degradante . A “falta” que se sente é de uma companhia , mas não somente de qualquer companhia  . Esta tem de ser acima de tudo um objeto visível ao julgamento externo . O “amar” , “gostar” e “apreciar” passam a ser o de menos no Dia dos Namorados .

Pois tudo isso custa tempo e esforço , coisas que grande parte dos solteiros ( muitas vezes até os “não-solteiros” ) cada vez menos buscam ter . O amor foi trocado por uma vitrine cada vez mais desvalorizada de um consumidor terrivelmente enganado .

Tirando estes , ainda existem os solteiros por infelicidade do destino . Os famosos “encalhados” , os que “tentam e não conseguem” . Uma minoria que também sofre bastante até que chega …

…. dia 12 de Junho de seja lá que ano for .

Seu dia começa embalado por uma trilha sonora cuidadosamente preparada pela “easy-listening FM” introduzida pela clássica “All By Myself” . E ao olhar pela janela uma infelicidade bate por encontrar um dia fisicamente lindo . Um único buraco com formato do seu próprio corpo te chama para o sofá . Este que será seu provável aliado pelo resto do dia . Acompanhado unicamente pela televisão – onde o vulgar “Vale a Pena Ver De Novo” passará “Um Amor Para Recordar” logo depois de você ter desidratado vendo algo do tipo “Moulin Rouge” – e pelo rádio – que tocará “Moon River” e “Blue Velvet” até a tarde acabar .

Enquanto isso , não muito longe dessa realidade estão meninos com pequenos buquês de flores cantarolando “Unchaind Melody” ao pularem muros e meninas remexem as caixas de maquiagem das mães na busca do ‘blush’ importado .
Enquanto isso , muitos namoros começam tanto como muitos namoros acabam .
Enquanto isso , muitos corações comprometidos choram silenciosamente desesperados .
Enquanto isso , se passa como sempre o Dia dos Namorados .

Talvez o publicitário Dória não soubesse que sua frase teria como conseqüência um aglomerado de pessoas solitárias de sentimentos cada vez mais desvalorizados . Não se pode dizer que tinha ele uma sede louca por mover a economia ou se tinha a doce vontade de ter um motivo a mais para presentear a pessoa a quem amava . A única certeza é que hoje , no Brasil inteiro , há suspiros desestimulados .

¹ São Valentino era um sacerdote cristão que contrariou a proibição de casamentos entre jovens .

Só Jesus .

junho 11, 2009

Blog por Fernanda e Rebeca . Aguardem .

Em mil novecentos e alguns tantos foi fixada em certa esquina a tal loja . Foi uma loja de quantos vários alvos e não certos momentos . Faliu numa época que ninguém sa lembra quando e , abandonada , persiste hoje como pedaço de nada .

DSC01468

Lista de Presentes .

maio 27, 2009

Hoje começa a “emocionante” contagem regressiva . Faltam exatos dois meses para o meu aniversário . E diferentemente dos outros anos estou disponibilizando uma lista de presentes .

Como é de conhecimento geral ( acho ) prefiro presentes “criativos” , nem que sejam na base da folhinha de papel mas … ( sempre um “mas” ) muitas pessoas consideram isso uma tortura terrivelmente desgastante . Então resolvi eu incentivar o “eu criativo” de vocês , uma vez que tudo o que é de meu desejo material tende a ter um gosto digamos que “salgado” .

E para diminuir a imagem de materialista capitalista ferrenha ( o que sou , sinceramente ) vou apenas disponibilizar nessa lista uma seleção limitada a Cds , Lps , Dvds e Livros . Tudo bem saudável . Ao final pretendo dar um ‘insight’ de como seria minha lista de bens que não estes da seleção para que vocês fiquem horrorizados e sintam um instintivo amor pelo próprio dinheiro .

A lista em si não está 100% completa . A variedade dos livros se encontra extremamente reduzida , assim como também existem centenas de Dvds ausentes … Mas isso basta ( não basta ? ) .

Eis então …

DvDs :

North & South
[ bota estrelinha cara de pau de preferência ]   Jane Eyre ( 2006 )
Pride And Prejudice
Jane Eyre (1944 )
Mostly Martha
Victoria & Albert
Persuasion 1971
Persuasion 2007
The Breakfast Club
Blue Skies
Sabrina ( 2005 )
Onegin
Madame Bovary
Cabinet Of Dr. Caligari
The Way We Were
Biography : Jane Austen
Famous Authors: Jane Austen
Tale Of Two Cities ( 1935 )
Jules E Jim : Uma Mulher Para Dois
Querido Diário
Acossado : Bout de Souffle
Piano
Alguém Tem Que Ceder
Attack Of The 50 Foot Woman
Room With a View (1985 )
Room With a View ( 2007 )
Down By Law
The Wave
Pro Dia Nascer Feliz
Dr. Strangelove or How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb
Casablanca
E o Vento Levou
Sabrina ( 1954 )
Funny Face
O Morro Dos Ventos Uivantes ( 1939 )
Os Seus , Os Meus & Os Nossos ( 1968 )
Critic`s Choice
Love Affair ( 1994 )
Forever , Darling
The Man Who Came To Have Dinner ( 1942 )
I´ll Never Forget What´s`Isname
Obrigado Por Fumar
Faster Pussycat ! Kill ! Kill !
Planeta Terror
Persona
Janela da Alma
Eu Sei Que Vou Te Amar
Toda Nudez Será Castigada
Entrei de Gaiato
Terra Estrangeira
Copacabana Mon Amour
Copacabana
Krótki Film o Milosci
Krótki film o zabijaniu
Bez Konca : Sem Fim
Blind Chance
Câmera Buff
Chelovek s kino-apparatom
Manhattan
The Comedy Of Terros
EveryBody Says I love You
New York Stories
[ bota estrelinha de preferência ]    Play It Again , Sam
Cassino Royale ( 1967 )
Interiores
Memórias
Midsummer Night´s Sexy Comedy
First Wives Club
Mrs. Soffel
Shoot The Moon
The Other Sister
Hélas Pour Moi
Slow Motion
Stolen Kisses
400 Blows
Love On The Run
The Winter Guest
Love At Tweenty
Domicílio Conjugal
Pequeno Romance
Othello ( 1965 )
The Moon And The Sixpence
Hamlet ( 1948 )
21 Days
As You Like It
The Hamilton Women
Let´s Make It Legal
Since You Went Away
The Heiress
Dark Victory
Sem Reservas
The African Queen
Little Women ( 1993 )
Little Women ( 1933 )
Roman Holiday
GasLight
A Nous La Liberte
Goodbye Mr. Chips
I Shot Andy Warhol
Jogo de Cena
Across The Pacific
Hello , Dolly !
Becoming Jane
Amor a Primeira Vista
Chloe In The Afternoon
Condeça Descalça
Conte d’Automne
Conte d Ete
Conte d Hiver
Conto de Printemps
Les Amours D´Astrée Et De Céladon
Full Moon In Paris
Bande à Parte
A Via Láctea
O Zero Não É Vazio

Cds :

[ bota estrelinha cara de pau de preferência ]   Funny Face
Perry Como – All Times Greatest Hits
Tchaikovsky – Complete Concertos
Tchaikovsky / Belov / Petrov – Eugene Onegin

Lps :

[ estrelinha =D ]  Rachael Yamagata – Elephants : Teeth Sinking Into Heart
Cat Power – Moon Pix
Cat Power – You Are Free
Cat Power – Greatest
Coldplay – Prospekt´s March ( EP )
Coldplay – Rush Of Blood To The Head ( LTD)(OGV)
Joni Mitchell – Blue
Joni Mitchell – Ladies Of The Canyon
Joanna NewSom – Milk-Eyed Mender
Julie Doiron – Woke Myself Up
JBob Dylan – Highway 61 Revisted
The Smiths – Big Mouth Strikes Again B / W Money Changes EveryThing
The Smiths – How Soon Is Now ? B / W Well I Wonder
The Beatles – Revolver
Nirvana – Nevermind


Livros

[ bota estrelinha cara de pau de preferência ]   Macanudo N.1 de Ricardo Liniers Siri
Cartas de Aniversário de Ted Hughes
O Homem Romântico
Emma de Jane Austen
Porque Não Sou Cristão de Bertrand Russel
Jane Eyre de Charlote Brontë
A Educação Sentimental de Gustave Flaubert
História das Mulheres no Brasil de Mary Del Priore
Festas e Fantasias no Brasil Colonial de Mary Del Priore
Isto Não é Um Cachimbo de Michel Foucault
Henri Cartier Bresson : O Olhar do Século de Pierre Assouline
Henri Cartier Bresson : Europeans de Jean Clair
Charles Dickens : Um Conto de Duas Cidades
Uzumaqui ( Vol I. ) de Junito Uno
Uzumaqui ( Vol II. ) de Junito Uno
Uzumaqui ( Vol III. ) de Junito Uno
O Gato da Cartola do Dr.Seuss
Ah , Tudo O Que Você Pode Pensar ! do Dr.Seuss
O Mito da Monogamia : Fidelidade e Infidelidade Entre Pessoas e Animais de David Barash e Judith Eve Lipton
The Journals Of Sylvia Plath ( 1950-1962)
Poemas de Sylvia Plath
A Redoma de Vidro de Sylvia Plath
Ariel de Sylvia Plath
A Princesa de Cléves de Madame de La Fayette

Pura Utopia … ( Me deixa sonhar , okay ? )

Henri Cartier Bresson : Photografher de Henri Cartier Bresson e Yves Bonnefoy
Henri Cartier Bresson : A Propos de Paris
O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir
Jenny Holzer
I Love Lucy ( Complete Series )
Coldplay – 7 Collection
Perry Como – And I Love You So
David Bowie – Live In Sant Monica 72
L.V. Beethoven – Sym 3 Eroica
Jane Austen : Complete Collection ( 6PC ) / ( STD )
Elizabeth Gaskell Collection ( 7 PC )
Charles Dickens Collection ( 3PC )
Masterpiece Theatre : Complete 2005 DVD Set ( 2-9 PC )

Area restrita aos Noruegueses ( segura o bolso se não ele grita ) :

Bolsa Bvlgari
Bolsa Fendi
Botinha Prada
Sapatilha Prada
Tênis Dior
Sapato Dior

Os presentes desprovidos de investimentos não ficaram possiveis agora =D ?

Faísca

maio 21, 2009

Nunca foi propício ao homem ser intenso . Foram poucos os ( anti ) Heróis que o conseguiram ser com sucesso , mas por estes só viverem no mundo das estórias suas existências não devem ser consideradas .

Os ‘meros humanos’ , frutos da carne dolorida , têm de se contentar em ser simplesmente dotados de admiração .

Poemas Soltos (VII)

maio 20, 2009

Rascunho seu corpo de mármore
Alma , carne e coração
Conjunto único que perdido vaga
Com gestos ébrios de razão

Num cenário com ruas traçadas
Onde cada risco é teu
Caminha entre a comédia e pecado
Carregando um olhar acabado

Até que faço o meu corpo
Para nos encontrarmos uma última vez
E o nosso beijo se esvaece
Num breve traço malogrado

Foi a cerca de dois anos quando me deparei pela primeira vez com Ciarán Hinds . Era a versão de 1997 de Jane Eyre onde ele fora contemplado com o  papel de  Edward Rochester  . Minha indignação nasceu ai . Seu jeito bruto ainda que não com a brutalidade necessária para interpretar o senhor Rochester fez dele mais um dos atores que deveriam receber minha total negligência se não fosse pelo fato de estarem deteriorando as filmagens das minhas obras preferidas .

“Mas porque você o  desconsidera ?” Primeiro foi pelo “não-amor” a primeira vista que prejudica a maior parte dos relacionamentos mundo a fora , décadas a fora . Depois veio a avaliação da interpretação em si , não “lá essas coisas” . Ele é dotado de um ar desagradável de quem olha vorazmente uma mulher ao mesmo tempo que pensa “oh , dirty mamma ! Hit me !” . E isso … Não é muito realizável pelos artistas de hoje em dia ( tirando , claro , Clive Owen que ficou consagrado como “bom safado” com seu personagem em “Closer” ) de forma bem feita .

Isso ( assim como outros fatores que não cabem comentar agora ) fez com que eu armazenasse essa versão de Jane Eyre numa pasta bem empueirada dos meus arquivos , numa tentativa de esquecer a visão de Hinds como Rochester .

Mas agora , anos depois , estou eu num louco estudo de Persuasão , última obra da Jane Austen . Assim como a leitura do livro propriamente dito e de diversos comentários também estou fazendo o “sacrifício” de assistir a todos os filmes e seriados que foram feitos a seu respeito .

Confiante de ter todas as filmagens de Persuasão tive o cuidado de separá-las todas por ordem cronológica e reservar partes do meu dia para a devida avaliação de cada uma . Depois de tudo visto vim a “remexer” poeira na Internet e descobrir o que me veio a ser um choque . Eu não tinha a versão filmada em 1995 , sempre confundia-a com a de 2008 …

Para não prolongar o problema obtive o filme o mais rápido possível e hoje finalmente pude vê-lo . Foi então que vi …

Hinds era ninguém mais ninguém menos que Captain Frederick WentWorth . Meu sangue borbulha até agora com isso . Como pode ? O delicado e aparentemente contido Frederick sendo personificado com exatamente a mesma péssima interpretação que seria realizada dois anos depois em Jane Eyre …

Eis ai que minha indignação eclode , meus caros leitores .

Tudo passa a se tornar crítica . A universalidade das histórias ganha uma proporção tão grande que começa a interferir não somente quanto a própria história …

Ainda quanto a filmagem de Persuasão , minha versão preferida sempre foi a mais recente . Mesmo sendo a menos fiel a “palavra por palavra” do livro . Nela há uma combinação bem feita de fotografia e ritmo que compensam a troca de determinados detalhes . Foi um trabalho em todo harmonioso cujo nível só conseguiu ser novamente atingido com a versão de Orgulho e Preconceito de 2005 , Jane Eyre de 2006 e a atual série da BBC , Lark Rise To Candleford ( são os que me vem a cabeça no momento ) .

Logo , são estas mencionadas exceções .

Eu fico … %*&$$ ( e tudo que isso representa ) ao ver pessoas dentudas de olhar vago protagonizarem Mansfield Park , fico repugnada por ver uma pessoa que se ama acima de tudo ser a louca pela fortuna do Daniel Deronda , … Enfim … São muitas as minhas indignações . Não que esses filmes sejam visivelmente feios . A maioria foi filmada nos mais luxuosos palácios e seus personagens são maquiados com produtos da Mac . Mas é tão mais preferível um cenário decadente com o hipnotizador jeito de Orson Wells dando brilho a uma atriz sonsa como a Joan Fontaine… Pelo menos é para mim muito preferível .

Essa valorização pelo antigo que me faz lembrar de outra crítica guardada . Não é inteira a culpa dos diretores responsáveis por estes “filmes” cada vez mais adaptados . O cinema ( em sua grande vulgar maioria ) é voltado para o grande público  e este é cada vez mais exigente . Primeiro , por ele só conhecer por alto os livros a que os filmes fazem referencia e segundo por serem extremamente apressados . Apressados no sentindo básico da palavra . Eles precisam de movimento , cores e grandes misturas em alta velocidade . As adaptações ( nesse tipo de filme ) sempre acabam por cobrir os detalhes que além de tomarem muito tempo do longa são desconhecidos por grande parte do público . Os “costumes” se tornam cansativos para o olho moderno . Este pede beijos roubados , sangue , explosões , sexo explicitamente vulgar , assassinatos , magias , vampiros ávidos por “sentimento” e por ai poderia se seguir uma lista imensa .

Isso se vê não só no cinema mas também na própria literatura . Retomando a Jane Austen , pode-se dizer claramente que a grande maioria de seus adoradores só se baseiam na vista de Orgulho e Preconceito de 2005 quando a popular Keira Knightley junto com Joe Wright fizeram da mais popular obra de Jane Austen um grande foco de admiração . Muitos desses admiradores , por gostar do filme , se interessam em ler o livro e logo desistem da idéia por  esbarrarem com detalhes , com frases desenhadas e cenas que não fazem parte da limitada visão do que é Orgulho e Preconceito .

Não vou diretamente criticar aqui as pessoas que só admiram uma obra por um único meio pois cada um tem seu devido direito de interpretação . Mas é dotada desse que eu abro esses pequenos fragmentos da minha opinião em momento de tensa indignação .

Talvez eu esteja sendo tão preconceituosa quanto qualquer um a quem indiretamente critiquei . Talvez Ciarán Hinds seja digno em algum aspecto de reconhecimento , …

Mas no momento não posso avaliar isso . Me deixei levar pela simples e boba indignação e agora estou desgostosa em imaginar a todo tempo Ciarán Hinds dobrando envelopes rapidamente em cima da mesa . Como ele pôde ? Como ele pôde ? É muito provável que eu ainda venha a me perguntar isso quando vê-lo interpretando Dumbledore em breve na grande tela . Como ele pôde ?

Preciso prosseguir com a leitura do livro ainda inúmeras vezes e assistir as demais versões ( que não a dele ) para finalmente tirar sua imagem grotesca da cabeça e assim não tentar imaginar como alguém o conseguiu contratar ( MAIS DE UMA VEZ ! ) para representar personagens marcantes da literatura … Me vem tanto a cabeça , tanto que se continuar a escrever corro o risco de me fazer entender menos ainda .

Então , meu caro leitor . Sem mais delongas , eu me despeço de mais essa confusa e mal elaborada “Nota” com um longo suspiro de revolta e discutindo mentalmente com o responsável pelo Cast de Persuasão de 1995 fazendo minhas as palavras de meu caro companheiro de observações silenciosas , Mr.Knightley  : “badly done !”

Ps : Li esse post inúmeras vezes encontrando inúmeros equivocos … Me comprometo a retomá-los com a devida atenção e “calma” num futuro breve . Hinds que me aguarde !

No Brasil , a Industria do Casamento movimenta mais de 8 bilhões de reais por ano . Muito ? Pode até ser, mas chega a ser uma quantia baixa quando comparada, por exemplo, com a dos EUA que supera os 100 bilhões de dólares por ano. Se o IBGE “der a louca” e disponibilizar o gasto em escala mundial sera até desagradável a vista .

São gastos com Buffet , Bolos Artísticos , Bebidas , Bartenders , Caligrafia , Cartão de Agradecimentos , Convites , Decoração , Exame Pré-Nupcial , Enxoval , Fotografia e Filmagem , Lembrancinhas ( Tradicionais “Bem-casados” ) , Seguranças e Manobristas , Transporte da noiva , Transporte do Noivo , Aluguel de Carros , Bandas ou Djs para a Cerimônia e Recepção , Despedidas de Solteiro , Cabelo e Maquiagem , Dia de Noiva , Trajes Masculino e Feminino , Alta Costura , Calçados , Grinalda , Acessórios , Clínicas de Estética , Consultoria e Assessoria , Espaço para Festa , Taxas do Cartório e da Igreja ( ou Celebrante ) , Hotéis e Lua-de-Mel , Alianças , Presentes , …

Pessimistas consideram isso um absurdo por ser , supostamente , tudo gasto em um só dia . De fato essa ideia faz parte do senso comum ( Ainda mais atualmente que grande parte dos casais só duram casados mesmo um dia ) . Mas esses gastos representam um longo processo . Tudo começa com o pedido e , em teoria , continua para sempre .

Há basicamente dois tipos de casamento . O mais extravagante e o mais simples . Não cabe aqui dizer qual é o mais sincero e – porque não – romântico e sim generalizá-los .

Pomposidade

googlemaps-thumb3

Certa vez um funcionário do Google decidiu mudar o padronizado pedido de casamento . Ele pediu a seus colegas do departamento Street View – responsável pelo carro especialmente projetado para fotografar as ruas do mundo todo e inserir as imagens no Google Mapas para dar, a quem pesquisa nos mapas, a sensação de estar “andando” de verdade pela rua – o avisassem quando o carro fosse sair novamente. No dia marcado, ele estava de prontidão na rua segurando um cartaz com a frase: “Proposal 2.0: Marry me Leslie!”. Tudo que ele precisou fazer depois foi jogar uma isca para sua namorada achar as coordenadas corretas no mapa e encontrar o pedido .

Há quem alugue jatos ou reserve um estádio inteiro só para a ocasião do pedido . Não necessariamente os casamentos que venham a ocorrer destes sejam os de “pomposas” festividades onde 10 mil reais não chegue nem perto do preço da decoração da igreja . São pedidos grandiosos quanto à extravagância e mobilidade necessária para realização .

Outra curiosidade sobre extravagâncias vem da capital da Romênia, Bucareste, onde foi apresentado um vestido de noiva com uma cauda de singelos 1,579 km de comprimento ( O vestido entrou para o Guinness Book, como sendo o com a maior cauda do mundo ) . Também , nos EUA , outra noiva decidiu “inovar” ao se casar com um vestido feito de papel higiênico num casamento que paralisou a Times Square . Sinceramente não consigo imaginar em que igreja a primeira noiva vai conseguir entrar nem a “satisfação” da segunda em se casar num banheiro público .

Esse é o tipo de casamento que rende “o que contar” , que as colunas sociais adoram e que grande parte do universo solteiro feminino suspira por ter . A pomposidade é extravagância em todos os sentidos . É querer que o ABBA ressuscite para a noiva entrar . É o ato de loucura que rende exclamação ao ser adjetivado .

Simplicidade

Como sempre há exemplos que fogem a regra , há também casamentos extremamente simples . Desde o pedido feito de joelhos ao anel da caixa de cereais escondido num pedaço de bolo .

São esses os atos modestos mais impulsivos . Que , mesmo grandes em significado , não exigem muita mobilidade .

Simplicidade é a noiva usar o vestido da mãe ou da melhor amiga ou o noivo um traje igualmente emprestado . É sair correndo na hora do almoço para um cartório e voltar correndo para não se atrasar no trabalho . Um casamento simples é o modelo singelo que não atrai a atração geral , logo se resume a basicamente uma lembrança a ser compartilhada pelo casal . É digno de entrar no grande memorial de “pequenos momentos” .

Ter um casamento simples é ligar o rádio no fim do corredor e deixar um Cd velho tocar “I Do , I Do , I Do” enquanto se fez a entrada majestosa . É o ato de loucura que rende reticências ao ser adjetivado .

Enfim ….

São várias as formas de se casar . São várias as formas de fazer o pedido , várias formas de festa , trajes … Há quem passe a vida inteira sonhando com a tal cerimônia e não a tenha , há quem seja ferrenho protestante contra toda a idéia do enlace epitalâmico e se case , …

O casamento é uma tentativa de movimentar a economia , o casamento é dia mais feliz que se tem na vida …

O casamento pode ser uma ideia assustadora , com todo seu significado e gasto exorbitante . É condenado pelos ditos mais “soltos” ou pessimistas intelectuais . Pode ser uma tragédia grega ou uma lembrança de eterna vergonha . O casamento é uma incógnita a ser vivida , é o parêntese que fecha .

Talvez quando criança eu tivesse o sonho de me casar . Naquele sonho clássico de véu e grinalda com um príncipe que nem o vagabundo da Anastácia no altar . Hoje não é mais “bem assim” . Até pouco tempo jurava que , se viesse a casar , casaria da forma mais simples possível , correria em campo aberto vestindo uma roupa qualquer e nem passaria perto de uma igreja . Essa última idéia continua fixa , mas quanto ao vestido … eis a mudança .

Toda mulher , casamenteira ou não , deveria ter a oportunidade de se vestir de noiva um dia . Não com um vestido de eterna cauda ou feito de papel higiênico , mas sim com um típico , tradicional , clássico e branco vestido de casamento . Com direito a espelhos tridimensionais e um belo holofote .

Todo homem , casamenteiro ou não , deveria ter a oportunidade de enfeitar o terno e treinar sorrisos e suspiros diante do espelho .

Hoje posso até não me casar . Continuo negando a ideia de casamentos financeiramente pomposos e todas suas consequências . Mas uma coisa é certa : não vou me inibir de alugar um vestido e cantarolar ABBA num corredor qualquer até alguém de razão maior me parar .

DSC08638

É dia de Aninha !

Modern Love

maio 10, 2009

No universo “finitamente” grande de nossos aparelhos de mp3 , diskman , fita cassete e derivados há sempre uma música que toca mais alto . Seja por associação ao agora , ontem ou amanhã , seja por ser o maior sucesso de 1996 ou trilha sonora do seu filme preferido . Existe a música que vai e volta e a que nunca realmente fora escutada .
Em curtas palavras , dedico esse tópico , assim como seus sequenciais , a disponibilização de dois exemplares da trilha sonora diária que me embala pelas ruas da Tijuca pro resto do mundo .

Maria Taylor – Time Lapse Lifeline
Biffy Clyro – Umbrella

( congratulações para mim ! eis aqui o centésimo post ! )

Devo ter deixado o celular tocar umas cinco vezes antes de saber as verdades de um homem apaixonado . E fosse por que motivo fosse , atendi ao seu engano .
Meu misto de espanto , espera resignada e ansiedade influenciara no seu silêncio prolongado e durante muito tempo só entendia o que sua respiração explicitava . Medo . Passei a senti-lo junto e a respirar tensa no momento incomodo .
Foi quando eu soube . Você achando me chamar se abriu como qualquer alguém que ama . Num sentido maior . Maior que o próprio amor e paixão . Dotado de toda vulnerabilidade que o momento pedia , em cada palavra você se entregou . E eu me entreguei junto , me perdendo sempre em sua confusão .
Delicado você ganhava firmeza a cada instante assim como o seu sentimento uma forma própria , nunca deixando a sinceridade escapar . Havia cor e cheiro de diversão em cada proposta e implícita promessa . E foi essa alegria em ser amada que me trouxe de volta à infeliz razão .
Numa tentativa de preservação do sincero amor eu lhe parti com a verdade . “Desculpe, meu caro, meu nome não é Sheila , você ligou para o número errado”.

( escrito dia 29/04 )

Há tempos que tenho vontade de escrever sobre “necessidade” . Basicamente o que me faltava era o ponta-pé inicial de estímulo , o que achei ter hoje . Me foi passada uma redação a ser feita a respeito do tema : “Felizes para sempre : Necessidade ou Fuga” . E após mais de uma hora feliz e contente dissertando sobre o tem me deparei com a satisfatória conclusão : necessidade é fuga .
Infelizmente o meu texto inteiro fora invalidado . Não podia escrever em torno de algo tendo como base a junção de duas partes de tema . Havia uma única escolha a ser feita : “necessidade” OU “fuga” . Mas como falar a respeito de algo que creio como um só de forma independente e passar a devida convicção de sinceridade e entusiasmo no que digo ?
Na hora não soube responder . Fiquei a fazer caretas remoídas e falar mal da educação desvalorizada brasileira em que exigem limites desse tipo para supostamente expandir a capacidade expressiva de quem está submetido a avaliação de suas instituições . Tudo que eu precisava era de um conjunto “introdução + desenvolvimento + conclusão” que satisfizesse a qualquer um que não a minha intuição .
Daí se deram duas conclusões :

Primeira conclusão óbvia : combater o sistema . Chico Buarque não vendia suas músicas durante a ditadura ? Logo eu também posso difundir o meu livre pensar aparentemente dentro do limite de regras pré-estabelecido . Faria eu um texto de palavras mescladas e de sentido ambíguo fazendo com que o “grande júri” me leia como adepta as suas ordens naquela rápida leitura de 3 minutos de correção . Enquanto subentendido estaria explicito todo o meu valor .

E a segunda conclusão óbvia : aderir ao sistema . Quebrando a cabeça e esquecendo – momentaneamente – qualquer teimoso principio para encarar um breve relato de no máximo 30 linhas , linguagem impessoal e culta .

Não demorou muito para cair de cabeça na segunda conclusão . Afinal , não sou Chico Buarque nem o Vestibular é a ditadura . E fosse o que fosse , seria apenas um dia de batalha perdido para me proporcionar um resto de vida de belas vitórias . O importante é “passar dessa fase” , seguir a diante . Mais tarde grito : “dane-se” , por hora só danço junto com dedos cruzados .

“You can go go ,

abril 30, 2009

so slow
Leave that ship behind
If it´s so soo slow
and you can bury your mind

Moments later when everyone wants to drown
Moments later when you fall asleep
But you will never go down”

The Owls – Bury Your Mind

Diego

e

Fernanda

em :

Momentos de Reflexão

Fernanda : Tá com essa ‘porra’ de cartola porque ?

Diego : Como assim , qual é o problema ? É só minha cartola …

Fernanda : Que mané “minha cartola” o que ?! Eu vi a ausência de tufo de cabelo seu que aquela vaca arrancou ! Tu tá é esconcendo evidência !

Diego : Queeeeeeeee ? ( esse é o momento da foto ! )

Fernanda : Eu sei que você saiu com a ‘vagaba’ , nem adianta esconder .

Diego : Não acredito que você está botando em risco a estabilidade do nosso relacionamento devido a uma suposição completamente mentirosa .

Fernanda ( pensando ) : Lá vai ele se fazer de chateado como sempre , pensa que me engana … Ai que dor de cabeça , senhor . Acho que vou cair dentro das minhas pírulas .

uma , duas pírulas depois …

Fernanda ( pensando ) : Olha lá ! Fez efeito ! To me sentindo até feliz ! É como nos velhos tempos : eu feliz , ele feliz e …. pera ai … Porra , to realmente alta … a vaca da amante tá aparecendo no meu delírio .

Fernanda ( pensando ) : Okay , o efeito tá passando . O clima voltou a ficar tenso e a amante já foi se ferrar na P*** *** ***** . Olha , aquilo são estrelas ?

Diego ( pensando ) : O que eu faço ? A Fernanda deve estar blefando , nada saberia ela a respeito de minha suculenta amante . O que será que eu faço …

alguns minutos passados para que o raciocínio lógico da personagem traída voltasse com todo vapor .


Fernanda ( pensando ) : Que que esse canalha tá pensando ? Deve ser na outra , só pode . Deve estar montando um esquema pra me dar uma rasteira de novo … Vai achando querido , vai achando ….

Diego ( pensando ) : Quem tem o melhor corpo ? Fernanda ou minha outra ?

Fernanda : ( pensando ) To achando que vo te largar , hein … Quer saber . Vou te largar mesmo ! Rapidinho conseguirei alguém melhor . Afinal , você nem é lá essas coisas . Fresco , galinha , ossudo , vascaíno de piru pequeno , …

Diego ( pensando ) : A bunda da minha outra é realmente melhor , mas ninguém tem uma ‘crina’ loura que nem a de Fernanda . O que posso fazer para ser perdoado ? Será que se eu fizer cara de tadinho …

Fernanda : ( pensando ) …. Ih , senhor . Que cara é essa ! Não é que ele é gay também ? Pra mim chega , fui .

Diego ( pensando ) : Essas mulheres e o ‘Mito da Monogomia’ …

( Pshiiiiiiiiu ! Para de rir minha gente … )

Nota : a foto será mudada quando … for recebida a bendita .

“Viva São Jorge”

abril 23, 2009

Em uma tentativa de provar o contrário da crença de que brasileiro usa de qualquer justificativa para folgar pesquisei a respeito do santo do dia : São Jorge . Santo que tanto vejo na estante de minha – fervorosamente – católica avó quanto entitulado como “ogum” em outdoors de grandes centros de umbanda . O descobri rebelde , guerreiro e “multi-interpretativo” .
Sem a convicção a respeito de seus feitos e personalidade mantive a busca . Passando por histórias de crocodilos e princesas , heroísmo , entregas e morte me deparo com a – ainda – grande dúvida : “afinal , quem é São Jorge ?” . Herói , vilão , traidor , … santo ? Motivo de feriado ?
São Jorge pode ser qualquer coisa para qualquer um . Para mim , além de clichê imagem de camisas brancas e vermelhas e possível pessoa que a longos tempos existiu , pode ser também – olha que viagem – a representação de uma injustiça . Porque uma injustiça ? Porque hoje , nós cariocas , estamos de folga num dia lindo enquanto paulistas e acrianos que ( possivelmente ) crêem no santo estão seguindo a vida .
Quantos de nós não realmente acreditamos em São Jorge como santo ( que nem mesmo chega a ser patrono da Cidade Maravilhosa ) ? Posso me incluir no meio e afirmar sem dúvida : uma grande parte . E cá estamos nós , os descrentes , usufruindo de uma festa que não é nossa propriamente dita enquanto crianças passeiam pelas ruas de Manaus gritando “viva São Jorge” com hora certa para pregação acabar devido ao horário de aula .

No final desse dia de pesquisa não posso contrariar nenhuma crença , só posso afirmar que pobres são os vários brasileiros “rio-de-janeiro-afora” que crêem no santo capociadiano , pois hoje o feriado é estadual .

Nunca fui muito com a cara da Lilia Cabral . Se era pelo seu tamanho generoso , jeito ou atuação , nunca soube . Pensando agora , podia ser até pela voz . Mas mesmo não sendo fã me senti extremamente atraída pelo seu novo filme : “Divã” . Foi uma união de “não preferências” minhas num misto adorável de comédia e cinema nacional com o melhor dos temperos : “razão” . O filme faz sentido a toda hora , desde os vestidos ( em sua maioria ) azuis e situações perfeitamente comuns , mesmo que inusitadas , que aconteceram na cena de banheiro da “The Week” .

O querido e não aparecido Lopes é a idéia principal do filme . Responsável pela avaliação das ligações de cada uma das fases de Mercedes , personagem de Lilia Cabral . Nem ao menos fala , a escutando durante as praticamente 1:30 de filme . Com um consultório sem plano de saúde , uma secretária precipitada e o divã propriamente dito , ele faz com que a protagonista se abra e relate detalhes da sua vida , o que vem a ser o enredo da trama .

Mercedes tinha medo de ser feliz para sempre e é ao longo dos mais de 2 anos de análise e eventualidades marcantes que vem a conclusão de “não é bem assim” . Rotinas são alteradas , princípios variam entre céu e inferno e há momentos de progressões e retomadas para chegar a conclusão : somos nós que fazemos com que a vida seja feliz ou não , apesar dos “apesares” . Divórcios , mortes e escolhas revolucionárias não matam e sim estruturam .

Não quero dizer por isto que “tudo é flores” . Cada acontecimento ( e seu desdobramento ) é acompanhado de dor e/ou reflexão . E é esta que nos faz bem e que fez com que a personagem de Lilia Cabral acabasse o filme vivida e vestida de diferentes cores e experiências.

Talvez tenha sido por isso que gostei do filme e principalmente do trabalho da Lilia . Todos os seus ares são sinceros e – porque não – originais . Ela sobe ao patamar que grande parte dos assalariados que se acham atores e atrizes se negam a chegar : ao comum , normal , cotidiano e humano . Com nervosismo , inconstância e olhos mortos de medo como o de qualquer um . Deixando o filme pessoal e adorável ao ponto de tê-lo visto em duas seções seguidas como nível crescente de admiração .

Sincero , bonito , engraçado e real , esse filme é digno do comentário pertinente que meu antigo professor de matemátiva exclamava em todo fim de exercício – aparentemente – complexo : “é mesmo” . A vida acontesse desse jeito e é decisão nossa conviver com ela . Afinal , não há quem não tenha um encharpe rosa , Armanis podem ser emprestados e analistas têm vida social .

Sensibilidade , intuição … Senso de geometria .

Nada mais …

O que é importante é olhar
Mas as pessoas não olham .

A maioria não observa , só aperta o botão .
Eles identificam , mas buscar o sentido , disso e disso … São poucos .

“A gente olha e pensa : Quando aperto ?
Agora ? Agora ? Agora ?”

Henri Cartier Bresson


dsc01055aa

22:22
10:10
22:22
10:10

22:22
10:10
22:22
10:10

22:22
10:10
22:22

10:10
22:22
00:00

Nada de música por enquanto . Ainda tenho o resto do dia para aproveitar tanto este como qualquer outro prazer . Então por hora escolho continuar assim . Sem instrumentos nem boca a recitar ao alto poesia . Sem dar a palavra ao momento de silêncio . Vou escutar coisa nenhuma . E se a mente me fizer pensar em algo usarei de todas as formas para penetrar no vazio aparentemente desprovido de informação . Quero um minuto de absolutamente nada , de ser por somente ser . Por motivos quais e tais qualquer um pode ter , pelo todo dia viver . Não serei causa nem conseqüência de guerras físicas ou psicológicas . Não serei nem eu mesma , somente um corpo qualquer . Pele , músculos e ossos sem o que lembrar . Pelos próximos segundas deixo a vida se(me) matar .

Tarde de Abril

abril 15, 2009

Bela tarde de dia comum
Onde mesmo sem vento
Vejo passear sombras
Que andam como em dança
Que dançam enquanto chamam
E pedem para a valsa continuar
Silenciosa e certa ,
Música que cabe ao nada tocar ;
Vultos desapercebidos
Carregam consigo
Cores de um dia inteiro
De uma vida em poucas horas
Misturas que se extinguem
Num por do sol qualquer .

“New Resolutions” era o título que me batia a cabeça antes de eu sentar para escrever mais essa “nota” . Afinal , toda grande festa é “motivo” para tudo que está desmotivado . E quem andou lendo esse wordpress na época de final de ano pode perceber a minha idéia “favoravel” quanto a essas nossas pequenas promessas de mudanças que nunca cumprimos , sobre essa vida que não mudamos .
O clima de Páscoa esse ano se resumiu a compra de ovos . Nada de enfeites de coelhinhos e cenouras pela casa , nem aquelas pegadinhas feitas de papel que desde que meu irmão mais novo completou 10 anos ninguém mais “catou” mas que , ainda sim , todo ano eram espalhadas pela casa . Pode ser por causa do tempo que não tivemos para percepção da vinda do feriado . Se mal me lembro acabamos de sair do carnaval , “ontem” e já tem lojista me falando para voltar dentro de alguns dias por o “estoque de dia das mães” estar chegando . Tempo . Bagunçado tempo . Eu pelo menos não consigo me encontrar no calendário . Já estamos entrando no mês numero 5 e mesmo sabendo que fiz uma infinidade de coisas ainda acho que não fiz nada . Talvez seja pela ansiedade pelo “meio do ano em diante” . A vida a partir do final de Junho sempre foi mais gentil comigo . É tempo daquela suposta paz de férias onde ninguém realmente consegue se encontrar , meu aniversário , frio e … o vestibular . Sem contar AS melhores festas do ano . A vida até Junho simplesmente passa , como um verão sem graça sem lembranças pra guardar . Todos ainda estão se estabilizando para nunca poderem sentar com calma e admitir : “estou pronto para uma nova” . Essa nova começa muito antes , avassaladora e conturbada , fazendo o que ? Mexendo com o nosso tempo . Sim , sempre o tempo . Tempo que hoje não tive e ainda agora não tenho , estou o burlando por estar aqui . Crente que quando olhar para o lado não vou ver meu pai em minha porta com aquela carinha a quem ninguém pode dizer não falando : “dá uma força pra sua mãe na cozinha , por favor” . Lá eu vou mexer não só com o almoço de amanhã , mas principalmente com a janta de hoje que dois famigerados seres que chamo de irmãos fazem questão de ter . Corte de legumes para cá , temperos para lá . Tudo corre tão rápido que quando nos damos conta temos apenas 5 horas para acordar e tirar o bacalhau da água se não ele ficara muito “não-salgado” . A partir daí é tudo literalmente festa . Parentes chegam trazendo sacos com internidades coloridas e brilhantes e se acomodam pela casa milimetricamente limpa . Os homens sentam próximos a tv e olham inquietos para os próprios relógios , contando os segundos para o programa que a vovó – essa danada – ousou ver no mesmo horário que o informativo deles . Enquanto isso as mulheres rodam pela cozinha com pratos e mais pratos gritando uma pras outras : “não tem espaço” . Os jovens de sexo masculino se concentram no quarto de cima envoltos por jogos e mais jogos sem realmente estabelecer comunicação alguma e a única jovem , no caso : eu , tem de aproveitar o máximo de tempo no santo recanto do quarto até ter de descer para ir de encontro para o grupo da cozinha e escutar perguntas mais intrusas impossíveis como : “esse ano vamos ver algum namorado por aqui ?” . Não muda , o esquema é sempre esse . Mais tarde todos se juntam na mesa gigante montada especialmente para ocasião no quintal e o “espírito-pascal” chega ao clímax , dando o ar da graça em panos de prato e guardanapos . Os avós sempre são os mais empolgados e não dão sinal de querer parar de comer até os adultos ficam entediados e roubam todos os pratos para o principal motivo daquela reunião toda : a sobremesa ( aS sobremesaS , para ser mais exata ) . Bolos disso , torta daquilo , pavê desse outro , guloseimas ( eu não suporto essa palavra ) e fontes de glicose do gênero . Nessa hora é que conseguimos realmente perceber como cada um é . Aquele papinho de “quero só salada” é substituído por “Só isso ? Corta um pouquinho maior esse pedaço !” . E em menos de 10 minutos pós a primeira garfada os sinais de cansaço já ficam evidentes e finalmente me dou liberdade de sair daquele ambiente não muito confortável . Finjo que subo com calma o primeiro lance de escadas para disparar no segundo . Chego ao quarto e a primeira coisa a fazer é olhar no computador para quem sabe sanar aquela vontade incrível de entrar aqui e encontrar … o que eu não venho a encontrar . Não demoro muito para voltar para a reunião , chegando sempre no ponto estratégico da conversa feminina em que minha avó acha que a crisma seria um ambiente ótimo para eu encontrar pessoas decentes para o meu convívio social e afetivo . Depois de não responder isso não saio mais da conversa masculina , política se torna extremamente atraente .
Nisso já é tarde e o que havia ficado combinado como um “simples almoço” vira janta também , com direito a sobras . Por ser domingo a janta não se prolonga . Homens tem de trabalhar , jovens do sexo masculino estudar , Mulheres tem de organizar a lista de compras para o resto da semana e eu tenho minha vida a só pensar .

Poderia ser diferente , mas não vai ser .

Feliz Páscoa para todos .

Wild card in sight ;

abril 10, 2009

Feist – “I Feel It All” , produzido por Patrick Daughter .

Nada que eu escreva será capaz de calar o dia com todo o seu brilho e dom de simplesmente ser . Sem de tempo e crescendo a cada instante . Lindo a cada segundo , corre cantando e pintando alto o que por orgulho não deixa ninguém vê . Perdi a tempos a capacidade de ter alcançar , para ser sincera acho nunca a tive . Você é por demais completo para minha alma oca e nenhum desejo meu será verdade como a cena que você está a criar . Eu te observo , gritando em silêncio que sou tua ; que todo suspiro teu eu sinto bem . Sinto perto e intenso , em qualquer lugar que não dentro de mim . Sempre próximo e imenso você está , encantando a todos com momentos de sol , luar . Você é a vida que cresce em cada momento findo . A folha que persiste na arvores para num momento especial encantar mais do que a seu proprio sonho , mas ao mundo inteiro . Com seu tem e som de calma que você não percebe , mas faz passar . Passa e eu o enxerfo de qualquer ponto desse campo de verde onde pequenas casas não sabem nem porque existem . E nos perdemos em lares diferentes , entrelaçados entre diversas cordas de diferentes varais . De longe eu vejo seus olhos firmes perdidos , que nem pretendem me encontrar . E te admirando eu me abandono , caindo em cima de macios , rasgados tecidos . Com estampas de sua alma que nunca esteca lá . Você está onde deveria haver o céu . Infinito e inquieto , tempestuoso porém sempre azul , mostrando beleza para agradar os olhos de quem o diz vee . Comum choro leve que vai de baixo para cima , discreto e silencioso , para algum lugar onde você pode se ver chorar . Eu choro junto com você , destroçada entre cores não descritas , esperando no reflexo de botões encontrar …

ex.tre.mo
adj (lat extremu)

1. Situado na extremidade; último. 2. O mais distante. 3. Derradeiro. 4. Longínquo, remoto. ( … )
9. Oposto, contrário .


A frase “tudo acontece por um motivo” pode ser considerada verdade quando tomamos que “motivo” é um quesito de pré-existência . Tudo é dotado de uma certa dependência . Nada simplesmente acontece , decisões – mesmo que inusitadas – são consequências de reflexão prévia e por ai vai . Logo chegamos ao ponto de discussão desse texto : extremos não são extremos além do significado metalinguístico .

Levemos primeiro em consideração extremidades ditas um tanto quanto obvias como a Certeza e a Incerteza . E para isso usaremos o exemplo da morte . A maioria das pessoas consideram que “a única certeza que temos na vida é que , um dia , iremos morrer” é uma certeza , porque desde os primórdios até hoje a vida não sai do famoso esquema que termina com a morte . Logo , isso é tido por nós como uma certeza . Agora , se por acaso algum pesquisador , curioso ou ser extremamente “dotado de tempo e vontade” vier a descobrir uma forma de nos provar o contrário dessa certeza , expondo para o mundo que existe um jeito de não morrer … Como ficaríamos a partir daí ? A morte deixaria de ser certa . O que antes tínhamos como verdade passaria a ser apenas uma possibilidade , sendo não mais uma verdade inevitável . Conclusão : a certeza deixaria de ser .

Mudanças ocorrem sempre em qualquer forma de sistema e é isso que faz com que “continuemos” . O que é uma verdade hoje pode não ser daqui a 10 minutos . Sendo então a busca por uma só verdade uma questão de paciência e reflexão para a capacidade de aceitar que vivemos num mundo onde fatos são ao mesmo tempo verdade e mentira . Certezas são incertas e Incertezas tem lá seu ponto de verdade . As duas só diferem quanto ao significado já que no sentido de mundo significam uma única coisa : possibilidade . Leia o resto deste post »

Vou Sentir Saudade .

março 31, 2009

E ficar eternamente feliz por nunca realmente saber “o que é literatura” .

Tu-ru , Tu-ru , tu , …

março 30, 2009

Em Uma Hora de Apagão .

março 28, 2009

O dia de hoje não colaborou em muito com a intenção de “mudança da vertente” de qualquer faculdade mental . Chove bastante e aparte da gritaria vinda do quarto ao lado de 5 meninos jogando vídeo game e vendo seja lá o que no computador enquanto a intenção desse horário é “salvar” o planeta ao manter as luzes apagadas por uma hora o resto do meu campo de visão se dá por tranqüilo . Nem todas as casas aderiram ao apagar de luzes mas ainda sim o silêncio existe tão firme e forte como se o mundo estivesse a dormir . Não há barulho de trem na estação próxima nem do cachorro aqui da rua avistando estranhos . Tirando os gritos extremamente próximos ( que opto por não realmente ouvir ) só escuto a chuva . Nem tão forte nem tão fraca , só exatamente como está agora . Fresca e finita , marcando presença a cada queda . Dever ser por isso que o clima se dá como agradável . Diferindo dos demais “ontens” , hoje chega a estar confortável . O céu não realmente escureceu e se encontra em tonalidade de dor . A lua se mantém timidamente recolhida , esperando a hora certa para brilhar . O cheiro de tudo se mistura com o de qualquer coisa e se você se deixar levar por um segundo é capaz de sentir-se lá fora . Sentindo na pele mais que frio e chuva . Lá fora nós podemos sentir .

E se fosse para escrever sobre isso , o “sentir” propriamente dito , eu teria de mudar a página e cair em outro texto . E mesmo se eu viesse a usar todas as palavras na tentativa de descrever … Casa um sabe o que sente . É tudo questão de sair para entender . Só que vá sozinho . Hoje eu não tenho vontade nenhuma de te fazer entender .

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água de les, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!

Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

- Clarice Lispector .

Por Hoje .

março 27, 2009

Vou continuar com essa fala , “por hoje” . Para diferir dos demais dias , não snendo nada em especial . Um dia assim , sem mais nem menos , dito normal . Talvez eu nem saia para arriscar a chance de ter estragada a paz . O fora é inconstante demais , grande , louco . Fala mais do que sou capaz de ouvir . Fala aquelas coisas que só são ditar por em nada prestar , irregula toda a ordem que se imagina criar . O meu dia pode correr por aqui mesmo , por essas bandas . Posso me imaginar nessas almofagas e rolando em cima de tudo que estiver pelo chão . Nada de Chaca Kan . Seria um dia mais Sarah McLachlan . Eu poderia não olhar nem pela janela e deixar o escurecer da sombra guiar todos os compromissos básicos do dia-a-dia . Não é preciso de nada além do que já tenho para alimentar qualquer crise de ansiedade e já separado no meu armário se encontra o meu “pijama de dia inteiro” . Pode ser mais fácil desistir assim , afinal hoje tenho razões para não sair .

Entre Amigas .

março 26, 2009

Amiga 1 : Minha mãe sempre me contava histórias diferentes com os mesmos personagens crente que eu fosse dormir .

Amiga 2 : Histórias de que ?

Amiga 1 : Amor .

Amiga 2 : Bem clichês ?

Amiga 1 : Até que não , a maioria tão real que deu até para acreditar .

Amiga 2 : Devem ter sido parte do passado dela , tipo, que nem naquele papo de reminiscência . Coisas dela e do seu pai .

Amiga 1 : Não , meu pai nem sonnha aparecer por lá .

Amiga 2 : Como assim ?

Amiga 1 : Nada de mais , só não é ele . Só pode ser alguém que não conheço .

Amiga 2 : E como você sabe ?

Amiga 1 : Porque em nenhum final eles se encontram .

Criação de Teorias .

março 25, 2009

Se é melhor estar em meio ao silêncio para se poder escrever eu não vou tão cedo saber . Pois a toda hora me estão a falar , por motivos tais e quais muitas vezes não sei . Há quem , sem saber , assume : me fala por falar , pensando que me foge da percepção sua intenção . Há quem claramente diga que me fala por saber que ouvido é . E há quem me conte muito sem nunca me falar – diretamente . A estes encaixo os distantes ( numa concepção que sobrepõe o físico ) e os distraídos . Os primeiros falam por temer falar e os segundos por nem perceberem que falam . Estou cercada de discurso . Não querendo , mas ainda sim ouvindo a todos , querendo muitas vezes – quem sabe – falar também . Nem que seja na escrita , num gesto no ar …. a vontade não se cumpre . Eu permito a minha perda em qualquer lugar , em meio a tantas histórias que em nada tem a ver com a minha , absorvendo sempre um tanto de todos , um bocado de coisa alguma . E se me perguntam se solução há para “seja-lá-o-que” for que me dizem , não respondo . O “se deixar escutar” funciona por si . Sou dispensada de opinião para melhor aconselhar , censurar , … que seja . Minha fala não importa ao mesmo tempo que ao deixar que outro se ouça é ela que o meu silêncio cria . Não importa de que forma parta , seria a fala sem a fala ser ? Por hora decido não saber . Passei a vida ouvindo o nada para quando todo fim de dia que começa eu criar uma nova teoria .

“Walking On Sunshine”

março 24, 2009

“Eu estou caminhando à luz do sol” e não há motivos para que eu me sinta nada diferente de bem . Qualquer coisa não importa , nada deixou de ser como é só por que agora eu sei . Talvez digam que eu tenha perdido o “jeito da coisa” ou que as minhas pinturas não venham com o mesmo azul . Mas quem são eles para dizerem as cores que vejo ? Meus olhos não são meus , quem dirá de outro alguém . E “eu não vou querer espera minha vida toda” para que seja diferente . Muito de mim sabe que sempre quis assim . Eu quero andar por ai agora e me sentir bem . Porque não quero nada de volta , não quero mais .

Eu costumava pensar que talvez você não me amasse . Ah , mas , meu bem , agora eu tenho certeza .

“Quem Sou Eu”

março 23, 2009

Dizem que devido a necessidade de clareza precisamos saber nos descrever em breves palavras . Mas quem é tão nada capaz de se dizer em tão pouco ? Nada é fato . Sempre somos – fomos e seremos – mais ou menos do que descrevemos . Existe tanto exagero em uma única palavra quanto existe ausência em um texto inteiro . Ninguém se conhece a ponto de ser fiel e ninguém conhece “o outro” para ser verdadeiro . Simplesmente somos . Então não existe “quem sou eu” . Existe é muita ladainha sobre tudo e nada .

Eu te amo .

março 20, 2009

aadsc09104

Poemas Soltos (VI)

março 19, 2009

A realidade bate
A verdade se vê
E a tristeza consome
O tempo passou
Passou e levou tudo
Mais do que as pessoas e os gestos
Levou a si mesmo
Arrebentando caminhos
Abrindo rumo desconhecidos
Desinteressantes
Extremamente longos e estáticos .
O tempo voou
Levando si mesmo ao fim

Sobre O Presente Em Si .

março 18, 2009

Vou escrever um texto sobre o presente em si . Não aquele que generaliza o agora e que faz de tudo uma relíquia de valor inegualavel . Presente é o que passa enquanto escrevo , é mais que “hoje em dia” , não chega nem a ter medida . Ele é rápido e passa … Presente é a mínima camada intermediada com o passado . Quando vem , já se foi . E neste meio tempo de presente nos distraimos com o resto . Quantos já o perderam hoje ? Quantos nunca o perceberam … O presente é precioso e me parte o tempo todo .

Em que você parou para pensar hoje ?

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.